Archive for Junho 2011

Netnografia ou Etnografia Virtual


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A Netnografia surge a partir das demandas metodológicas vindas das pesquisas realizadas na e sobre a rede mundial de computadores. Com Gutierrez podemos definir netnografia como "um processo que se desenvolve a partir da ação do pesquisador, de suas escolhas dentro do contexto pesquisado e, por isso, não tem uma estrutura rígida, pois depende do que vem do campo de pesquisa."

"No Brasil, Simone Sá (2002) propõe a netnografia como alternativa metodológica para o estudo de ambientes comunicativos on-line. Um modo de discutir a cibercultura, os conceitos de hipertexto e de comunidades virtuais" (GUTIERREZ, _____, p.08).

Esta metodologia foi inspirada na etnografia tradicional, porém com peculiares diferenças que a aproximam do campo a que se destina. Uma dessas diferenças é que a netnogradia  "não exige a presença física do pesquisador" (GUTIERREZ, ____, p. 11), pois ele já está inserido no ambiente em que desenvolve a pesquisa, porém de forma virtual. Essa inserção é chada de autietnografia, ela sinaliza que o pesquisador já está presente e faz parte da cultura que está sendo estudada.

Para pesquisas que envolvem o mundo virtual, como análise de blogs, uso de registro de weblogs, etc, torna-se imperioso o uso da Netnografia para que os dados sejam tratados de forma devida, pois

"para Hine (2000) a etnografia virtual pode ser usada para desenvolver a percepção do sentido da tecnologia e dos espaços sócio-culturais que são por ela estudadas. Por isso, a etnografia virtual tem espaço assegurado nas pesquisas onde os objetivos incluem saber ‘o quê as pessoas estão realmente fazendo com a tecnologia’. Assim, se a etnografia sempre esteve relacionada com ir a algum lugar, no sentido literal da expressão, para observar e interagir (HINE, 2000), a netnografia ou etnografia virtual modifica a relação espaço temporal e apresenta um contexto que é mediado pelas ferramentas, pelos ambientes, pelas práticas construídas no
ciberespaço." (GUTIERREZ___, p.10)


Referência

GUTIERREZ, Suzana de Souza. A etnografia virtual na pesquisa de abordagem  dialética em redes sociais on line. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/32ra/arquivos/trabalhos/GT16-5768--Int.pdf. Acesso dia 05 de Junho de 2011.

Letramento Digital


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http://www.grandesmensagens.com.br/wp-content/uploads/2010/07/computador.gif com modificações da autora do blog.

E aí? Encarar ou não encarar a máquina, eis a questão! Em um mundo de imagens, sons e hipertextos que é o mundo digital, seria necessário ser alfabetizado para utilizar o computador? Respondo com imagens:




As imagens acima responde a questão!
  
Já dizia Paulo Freire que "a leitura do mundo precede a leitura da palavra", e essa afirmação reforça que não é necessário ser alfabetizado para saber utilizar computadores.

De acordo com Magda Soares, "um indivíduo pode não saber ler e escrever, isto é, ser analfabeto, mas ser, de certa forma, letrado." (SOARES, 2001b, p.24). Trabalhando com surdos e sabendo de sua especificidade linguística (para as pessoas surdas nascidas no Brasil a Libras é a primeira língua e  a língua portuguesa é a segunda língua), vejo cotidianamente isso acontecer. Os surdos por serem pessoas visuais (BAHAN, 2005, p.17 apud STROBEL, 2009, p. 47), desenvolvem uma percepção visual mais aguçada que as pessoas ouvintes isso contribui para que mesmo sem conhecer com profundidade a modalidade escrita da língua portuguesa naveguem de forma autonoma pela internet, utilizem e explorem o computador através dos inputs visuais que ele oferece:

As imagens, os ícones, os sons – a multimídia - como elementos semânticos e integrantes do contexto digital é o que contribui para esse processo mais complexo de letramento, daí a possibilidade de mesmo ainda não estando convencionalmente alfabetizado, ele ter condições de fazer uso das tecnologias digitais. (COELHO e BONILLA, p.06)

Pensando sobre isso, se você que lê esta postagem não soubesse ler e apenas visse as imagens postadas aqui, saberia dizer sobre o que o texto fala?!


Referências:

SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. 2ª edição. Belo Horizonte:
Autêntica, 2001b.

STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. 2. Ed. Florianópolis: Editora da UFSC, 2009.