Archive for Abril 2011

Liberdade, quem não a quer?


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Texto inspirado pela leitura de:

BENKLER, Yochai. A economia política dos commons. In: SILVEIRA, Sérgio Amadeu da, et al. Comunicação digital e a construção dos commons. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2007, p. 11-20.
REZENDE, Pedro. Custo social: propriedade imaterial, software, cultura e natureza. In: PRETTO, Nelson De Luca; SILVEIRA, Sérgio amadeu da.Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder. Salvador: EDUFBA, 2008a, p. 93-110.





Talvez a minha reflexão de hoje não esteja nos moldes da academia, mas eu juro que espremi o juízo até “parir” esse texto!

Não posso negar, foi difícil pensar sobre Software Livre (SL). Foi fácil entender o que eu chamei de  "caso de família" que aconteceu entre o Hardware (HW) que se separou do Software (SW). Foi fácil entender que um SW tem um código-fonte (CF) que é inteligível para nós humanos e que tem de transformar isso em código-objeto (CO) para que a máquina decodifique e leia as informações. Essa parte foi muito fácil.

Difícil foi imaginar e entender porque que esconder o tal do CF é ruim!

E agora que eu já entendi fico pensando se não tem um monte de gente por aí que também não entende essa relação. Por isso, nessa reflexão eu resolvi  mostrar como eu entendi que liberar o CF é bom pra todo mundo!

Bom, a primeira coisa a se pensar é que se tem alguma coisa não liberada, ou seja, escondida já é sinal de que tem algo de errado pela frente. A segunda coisa é pensar que se tá escondido e se alguém ganha muito dinheiro com isso tá mais errado ainda!

Vamos pensar... O SL não tem a interface mais linda do mundo, a maioria das pessoas não está habituado a usá-lo, mas ele tem suas grandes vantagens. Posso destacar algumas, como:
1) Mais segurança
2) Mais confiabilidade
3) Menos vulnerabilidade e
4) Mais atualização ou atualização contínua! 
Só esse elenco de fatores já faz qualquer um ter vontade de pelo menos testar.

Mas o que me fez mesmo entender porque ser Livre é melhor foi quando eu pensei que se é livre e qualquer um pode ter acesso ao CF, então qualquer pessoa entendida do assunto pode modificar e quanto mais pessoas modificam, testam e utilizam mais eficiente isso se torna e se fica mais eficiente muito em breve será superior ao que hoje muita gente acha superior!

E ainda se esse processo continuar a acontecer sempre teremos super SW super atualizados e super eficientes!

Fala se depois de clarear um pouco mais sobre o assunto não deu ao menos vontade de testar algum SL?!


Interatividade, colaboração e trocas.


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Texto inspirado pela leitura de: 

PRIMO, Alex. O aspecto relacional das interações na Web 2.0. E- Compós (Brasília), v. 9, p. 1-21, 2007.

PRIMO, Alex. Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas de ser, conhecer, comunicar e produzir em sociedade. In: PRETTO, Nelson De Luca; SILVEIRA, Sérgio amadeu da. Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder.Salvador: EDUFBA, 2008a, p. 51-68.




Sou blogueira desde 2005 (Thalita Coisa e Tal) e desde então utilizo práticas da web 2.0 sem ao menos saber que ela existia. Assim como acontece em diversas áreas, a minha prática veio antes do conhecimento sobre a web 2.0.


A web 2.0, de acordo com Primo, é

a segunda geração de serviços online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicação, compartilhamento e organização de informações, além de ampliar os espaços para a interação entre os participantes do processo.

Assim compreendo que a web 2.0 proporciona mais interatividade entre as pessoas na medida em que não apenas se recebe informação, mas um diálogo é estabelecido com o conhecimento disponibilizado via web. Este diálogo proporciona as colaborações e trocas e quanto mais se troca, mais eficiente se torna essa rede.

Isso contribui para a difusão do conhecimento em diversos aspectos, puxando um pouco a “sardinha” para o meu tema de interesse, acredito que a web 2.0 tem contribuído para as trocas de informações sobre a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Tenho outro blog (Curso de Libras) que recebe diariamente muitas visitas e muitos destes visitantes utilizam os recursos que disponibilizo na página para complementar seu aprendizado da nova língua ou para obter conhecimentos básicos acerca dela. Isso mostra não apenas interesse pela Libras, mas também que ao compartilhar imagens e informações consigo difundir a Língua Brasileira de Sinais para mais e mais pessoas.

Ser colaborativo, difundir o conhecimento, trocar informações são as principais características da Web 2.0, o que mais virá pela frente com a web 3.0?

Comunidade Surda


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Texto inspirado pela leitura de: FONSECA, Daisy; COUTO, Edvaldo. Comunidades virtuais: herança cultural e tendência contemporânea. In: PRETTO, Nelson. Tecnologia e novas educações. Salvador: Edufba, 2005. p. 53-67



Comunidade surda, de acordo com a doutora surda Karin Strobel é o grupo de surdos e ouvintes militantes da causa surda. E esta comunidade surda brasileira tem vivido momentos de grande tensão desde que saiu o resultado do ultimo CONAE (2010) e das novas diretrizes do PNE, os quais defendem a inclusão de todas as pessoas com deficiência na rede regular de ensino.

Inclusão para este grupo de especificidade linguística e cultural, os surdos, na educação infantil e séries iniciais não é a melhor opção, pois as pessoas surdas em sua maioria nascem em famílias de pais ouvintes, assim não tem acesso direto a língua de sinais, sua língua natural. O que impossibilita que seu desenvolvimento linguístico ocorra na idade correta, isto poderá acarretar em atrasos cognitivos futuros.


O espaço escolar específico para surdos então se constitui neste espaço de trocas linguísticas e culturais. Ele é usado não apenas para transmissão de conteúdos curriculares, como, e principalmente, para a aquisição linguística através de referenciais linguísticos que contribuirão para que a aprendizagem dessa língua seja feita de forma natural. Além disso, este espaço fortalece este grupo cultura e politicamente.


Lopes e Neto corroboram com estas afirmações quando dizem que

O espaço que vem possibilitando a aproximação entre os surdos tem sido preponderantemente o escolar. Como a escola é o território que possibilita, antes de .qualquer coisa, a aproximação e a convivência - isto é, um local inventado para que todos que o freqüentam saiam com marcas profundas no modo de ser e de estar no mundo -, a comunidade surda, quando constituída dentro da escola, também é fortemente marcada por ela.


As pessoas surdas, juntamente com intérpretes de Libras, professores de surdos, pais, familiares e apoiadores do movimento dos surdos, constituem-se na comunidade surda. Esta comunidade, após o fato relatado no primeiro parágrafo, tem utilizado os diversos meios de comunicação para se articular politicamente e lutar em favor dos seus direitos educacionais específicos.

O meio mais usado atualmente tem sido as redes sociais, das quais ressalto Facebook e Youtube, onde surdos de todo Brasil têm postado vídeos, afinal a língua de sinais é visual, demonstrando suas posições políticas frente às ordens do MEC.

Destaco abaixo alguns exemplos:




Articulando-se através das redes sociais, formando comunidades virtuais, a comunidade surda brasileira pretendereunir documentos de todos os estados, compilar estes em apenas um e entregar um documento em Brasília no dia 20 de maio de 2011 com novas propostas educacionais para a educação das pessoas surdas no Brasil.



Referências:

FONSECA, Daisy; COUTO, Edvaldo. Comunidades virtuais: herança cultural e tendência contemporânea. In: PRETTO, Nelson. Tecnologia e novas educações. Salvador: Edufba, 2005. p. 53-67


LOPES, Maura Coreiro e NETO-VEIGA, Alfredo. Marcadores culturais surdos: quando eles se constituem no espaço escolar. Disponível em: http://www.journal.ufsc.br/index.php/perspectiva/article/view/10541/10078. Acesso dia 18 de abril de 2011.

STROBEL, Karin. As imagens do outro sobre a cultura surda. 2. ed.  Florianópolis: Editora da UFSC, 2009. 


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